Leptospira
interrogans
Material para exame
Sangue total colhido em EDTA, urina fresca enviada no mesmo dia ao laboratório.
Material mantido refrigerado e enviado ao laboratório com gelo biológico.
As bactérias do gênero Leptospira apresentam duas espécies, porém somente as da espécie Leptospira interrogans são patogênicas. Estas compreendem mais de 200 sorovariedades diferentes, agrupadas segundo a similaridade entre elas.
A Leptospirose acomete animais domésticos como cães e gatos, e animais de importância econômica como bois, ovelhas, cavalos, porcos e cabras.
As bactérias são transmitidas entre animais por contado direto (urina, transferência venéria ou placentária, mordidas, ingestão de tecidos infectados) ou indireto (exposição a fontes de água, solo e alimentos contaminados). São capazes de sobreviver em solo úmido ou na água que contenham pH neutro ou alcalino. Elas penetram no animal através da pele ou pelas mucosas, e, ao atingirem o sistema vascular, multiplicam-se rapidamente, instalando-se nos rins, fígado, baço, SNC, olhos e trato genital. Em animais assintomáticos podem se instalar nos túbulos renais e serem excretadas na urina por longos períodos de tempo.
Suínos
Tal como bovinos, ocorrem desordens na esfera reprodutiva, causando repetição de cio, abortos na fase final da gestação, mumificação fetal, natimortos e nascimento de leitões fracos. Em macho os sintomas são febre, icterícias, anorexia e hemoglobinúria. Nestes animais, as dosagens bioquímicas podem auxiliar no diagnóstico da Leptospirose. Animais infectados apresentam um aumento significativo da bilirrubina total se comparados aos animais sadios (isso se observado até o nono dia de infecção).
Os níveis de glicose diminuem até o terceiro dia após a infecção, aumentando muito acima dos níveis normais após o décimo quinto dia.
Mas normalmente as infecções em suínos são subclínicas, ocorrendo excreção da bactéria pela urina por longos períodos de tempo, tornando os suínos uma fonte de infecção para outras espécies que são mais gravemente afetadas.
Animais infectados apresentam infertilidade, mastites, abortos, retenção da placenta, alterações congênitas, natimortalidade, bezerros prematuros com reduzida viabilidade de vida, e causam grandes prejuízos econômicos devido ao aumento do intervalo entre partos e à diminuição da produção de leite e de carne consumíveis. Dependendo da sorovariedade infectante, alguns bezerros podem apresentar anemia hemolítica, congestão pulmonar, meningite, leve icterícia, rins aumentados de volume, diminuição da ruminação, hemoglobinúria e óbito.
Em cães, os sinais clínicos incluem febre, tremores, inapetência, vômito, diarreia, icterícia, hemorragias petequiais e equimóticas, aumento no volume dos rins e falência renal aguda. A nível hematológico, as alterações são trombocitopenia, leucocitose, níveis de ureia e creatina aumentados. Toxinas das leptospiras podem causar disfunção hepática severa e hepatite ativa crônica.
Equinos
Embora a infecção em equinos seja normalmente assintomática, também podem ocorrer abortos, nascimentos de animais prematuros e debilitados, além de febre, icterícia e nefrite. Um diferencial em equinos é o aparecimento de complicações oculares após a fase de latência da doença. A presença de Leptospira no interior do globo ocular causa uveíte progressiva, podendo resultar em cegueira.
Felinos
Os gatos são susceptíveis a diversos sorovares de Leptospira, mas a infecção não foi associada a alterações clínicas ou patológicas.